terça-feira, 27 de janeiro de 2026

HISTÓRIA EM CASA

 




6º ANO

 

PROGRAMA DE HISTÓRIA 2026 

Teláris História – 6º ANO
1º trimestre
Cap. 01 - O que é História? 
Cap. 02 - A História antes da escrita.
Cap. 03 - O povoamento da América: povos e sociedade.
Cap. 04 - A antiga civilização egípcia.
Cap. 05 - África: diversidade de povos e reinos.
2º trimestre
Cap. 06 - As civilizações da Mesopotâmia.
Cap. 07 - Hebreus, fenícios e persas.
Cap. 08 - O mundo grego antigo.
Cap. 09 - A Grécia clássica e helenística.
3º trimestre
Cap. 10 - Roma Antiga.
Cap. 11 - O Império Romano.
Cap. 12 - A Europa e a formação do feudalismo.
Cap. 13 - Igreja e cultura na Idade Média.
Cap. 14 - Transformações da Europa medieval.









7º ANO

PROGRAMA DE HISTÓRIA 2026 

Teláris História – 7º ANO
1º trimestre
Revisão da Baixa Idade Média.
Cap. 01 - A formação das monarquias centralizadas europeias.
Cap. 02 - Expansão Marítima Europeia.
Cap. 03 - América: povos, reinos e império antigos.
Cap. 04 - O Renascimento Cultural.
2º trimestre
Cap. 05 - A Reforma religiosa.
Cap. 06 - O Estado absolutista europeu.
Cap. 07 - O mercantilismo e a colonização da América.
Cap. 08 - A administração na América portuguesa.
3º trimestre
Cap. 09 - As fronteiras na América portuguesa.
Cap. 10 - Povos africanos e a conquista dos portugueses.
Cap. 11 - Escravidão, tráfico e práticas de resistência.
Cap. 12 - A produção açúcareira na América portuguesa e outras atividades.
Cap. 13 - A atividade mineradora e o dinamismo econômico e cultural.


Mudanças na Europa entre a Idade Média e a Moderna

As mudanças na Europa demoraram muito tempo

Não foi de um dia para o outro. Levou séculos para que tudo mudasse da Idade Média para a Idade Moderna.

O poder dos reis aumentou

Antes, os senhores feudais (como os nobres e cavaleiros) tinham muito poder. Com o tempo, esse poder foi diminuindo e os reis e rainhas começaram a mandar mais.

A burguesia ficou mais importante

Um novo grupo social surgiu e ajudou os reis: a burguesia, que era formada por comerciantes e pessoas ricas das cidades.

Começou a expansão marítima no século XV

Os reis queriam ganhar mais dinheiro e terras. Com apoio da burguesia, eles começaram a explorar outros continentes, como a América, a África e a Ásia.

O comércio se moveu para o Oceano Atlântico

Antes, o comércio acontecia principalmente no Mar Mediterrâneo. Depois, as rotas comerciais passaram pelo Oceano Atlântico, ligando a Europa a outros continentes.

Muitos produtos chegaram à Europa

Tecidos, perfumes e especiarias do Oriente (Ásia) vieram em grande quantidade para a Europa, e depois também para a África e a América.

Surge o mercantilismo

Foi um conjunto de ideias e práticas econômicas adotadas pelos países europeus para enriquecer e fortalecer o poder dos reis e da burguesia.

Principais ideias do mercantilismo:

Metalismo: Quanto mais ouro e prata um país tivesse, mais rico ele era. Por isso, Espanha e Portugal exploravam as colônias em busca desses metais.

Protecionismo: Os governos cobravam impostos altos de produtos estrangeiros e davam vantagens para os produtos fabricados dentro do país.

Balança comercial favorável: Era quando um país exportava (vendia) mais do que importava (comprava), assim ganhava mais dinheiro.

O Estado interferia na economia

Os reis controlavam o comércio, incentivavam o uso de produtos locais e cobravam impostos de produtos vindos de outros países.











1º ANO

 
PROGRAMA DE HISTÓRIA 2026 - 1º ANO
VOLUME 1                      
Frente A:
Capítulo 1 – Grécia e Roma
Capítulo 2 – Da Idade Média aos Estados Nacionais 
Capítulo 3 – Absolutismo e Mercantilismo 
Frente B: 
Capítulo 1 – Expansão Marítima e América Espanhola
Capítulo 2 – América Inglesa
VOLUME 2
Frente A: 
Capítulo 4 – Renascimento Cultural e Científico
Capítulo 5 – Reforma Religiosa e Contrarreforma
Frente B: 
Capítulo 3 – Povos Africanos /África Antiga e Antiguidade Clássica
Capítulo 4 – Implantação do Sistema Colonial
VOLUME 3
Frente B: 
Capítulo 5 – Economia açucareira e atividades complementares no Brasil Colônia 
Capítulo 6 – Presenças estrangeiras no Brasil Colônia
VOLUME 4
Frente B: 
Capítulo 7 – Bandeirantismo, mineração e Período Pombalino
Capítulo 8 – Rebeliões nativistas, separatistas, Período Joanino e Independência do Brasil.


A civilização clássica: Roma

As origens de Roma:

* Localizava-se na Península Itálica, e entre os anos 2000 e 1000 a.C., foi invadida por povos indo-europeus como os latinos.

* Segundo a lenda, Roma fora fundida pelos gêmeos Rômulo e Remo.

* Pesquisas confirmaram que várias aldeias se uniram e formaram Roma.


A Monarquia

* Os romanos se organizavam em clãs, sendo a propriedade e a produção da terra, coletivas.

* Os patrícios constituíam a elite nobre, que se apossaram das melhores terras.

* Roma era uma cidade-estado governada por um rei e por um conselho (senado) formado pelos patrícios.

* Plebeus (artesãos, comerciantes e pequenos proprietários), clientes e escravos domésticos constituíam os demais grupos sociais.

* Roma foi conquistada pelos etruscos, por volta do ano 600 a.C. e teve seu último rei.

 

A República:

* A queda do último rei etrusco significou a independência de Roma em relação aos etruscos.

* Roma passa a ser governada pelo senado, com a implantação da República.

* O senado escolhia os magistrados.

* A luta dos plebeus pela participação política:

- Instituição dos Tribunos da Plebe;

- Lei das 12 tábuas (as leis passam a ser escritas);

- Lei Canuleia (casamento entre patrícios e plebeus);

- Abolição da escravidão por dívidas;

- Igualdade de direitos entre patrícios e plebeus;

* Roma expande seus domínios territoriais, tornando-se um Império.

* Em disputa pelo Mar Mediterrâneo, Roma vence Cartago nas Guerras Púnicas.

* Os patrícios enriqueceram.

* Aumentou o número de escravos.

* Os chefes militares tiveram seu poder político fortalecido.

* Aumentaram a pobreza, a fome e as tensões sociais.

* A proposta da reforma agrária dos irmãos Tibério e Caio Graco (Tribunos da Plebe):

- Tibério Graco foi por isso assassinado e Caio Graco se matou.

* As Guerras passam a ter caráter vital para a expansão territorial e aquisição de escravos para Roma.

* Os cônsules Mário e Sila tentaram conter as tensões sociais.

* A revolta de escravos liderada pelo escravo-gladiador Espártaco.

* Formação do Primeiro Triunvirato (generais): Pompeu, Crasso e Júlio César.

* Júlio César se destaca como grande líder militar apoiado pelo povo; contudo, foi assassinado numa conspiração de senadores.

* Formou-se o Segundo Triunvirato: Lépido, Março Antônio e Otávio.

* Lépido teve seu poder suprimido, e Marco Antônio e Otávio disputaram o poder.

* Otávio vence a disputa política contra Março Antônio, e se intitula imperador.


O Império Romano:

* O imperador passou a deter grande poder, apesar da manutenção das instituições anteriores.

* Otávio investiu na área social, tornando-se assim popular.

* O Império Romano ampliou ainda mais suas fronteiras.

* Houve intenso combate contra os bárbaros, sobretudo germânicos.

* Surgiu o cristianismo, concorrendo com muitas outras religiões praticadas no império romano.

* Devido às contradições políticas e econômicas, o império começa a vivenciar a verdadeira crise.

* O fim das guerras paralisou a principal fonte de escravos.

*Surgiu o sistema do colonato, levando a população carente à ruralização.

* O imperador Constantino transferiu a capital do império para a cidade de Constantinopla.

* O imperador Teodósio dividiu o império em dois: ocidental e oriental, sendo o ocidental invadido pelos bárbaros, e o oriental tornou-se Império Bizantino.

* O cristianismo tornou-se a religião predominante, legalizada e oficializada em Roma, embora tivesse sido arduamente perseguida por três séculos.

* Os bárbaros predominavam sobre os exércitos romanos, formando reinos no interior de seu vasto território.

 

Cultura:

* A cultura romana contém fortes elementos das culturas grega e etrusca.

* Grandes obras urbanísticas foram realizadas pelos romanos.

* O direito romano influenciou toda a civilização ocidental.

 

https://www.youtube.com/watch?v=eqHmEXJWuRk  – Roma


Alta Idade Média

A) Queda do Império Romano e Formação da Sociedade Feudal

→ Idade Média Ocidental (séc. V ao XV)

→ Origem do termo – “Idade das Trevas”, valores contrários àqueles defendidos na Antiguidade Clássica (Grécia e Roma)

→ Invasões bárbaras que levaram à destruição completa do Império Romano (visigodos, ostrogodos, francos, germânicos, bretões)

→ 476 d.C. – queda do Império Romano do Ocidente

→ 1453 – tomada de Constantinopla = queda do Império Romano do Ocidente

→ Feudalismo = sistema socioeconômico com instituições e componentes próprios

→ Fusão entre os valores romanos e germânicos

 

B) A estrutura da sociedade feudal

b.1) Características econômicas

→ economia agrária, voltada para a subsistência, com baixa produtividade

→ não comercial, amonetária, baixa circulação de moedas

→ unidade da produção feudal: feudos ou benefícios, divididos em manso senhorial, manso servil e manso comunal

b.2) Características sociais

→ critério de diferenciação social: POSSE DA TERRA

→ sociedade estamental, sem mobilidade (paralisada), estratificada

→ senhores feudais: nobres, clero / servos: camponeses (presos à terra)

→ relação entre servos e nobres – servidão

. Super exploração servil: conjunto de impostos e obrigações que o servo deveria pagar ao seu senhor (talha, corveia, banalidade)

. Não significa escravidão, o servo era preso à terra

. Os vilões eram os servos que possuíam maior liberdade, não tendo obrigação de pagar todos os impostos

→ relação entre nobres – suserania e vassalagem

. Suserano: aquele que doa a terra ou benefício

. Vassalo: aquele que recebe a terra ou benefício

. Necessidade de cerimônia que selava a ligação (homenagem)

. Relação de obrigações recíprocas (dependência/fidelidade)

. Obrigações financeiras e militares

. fragmentação do poder

b.3) Características culturais

→ Hegemonia Ideológica e Cultural da Igreja = TEOCENTRISMO

→ Construção de justificativas para as desigualdades sociais: “Uns nasceram para rezar, outros para guerrear e outros para trabalhar”.

→ Universidades medievais

→ Condenação de lucro excessivo e de usura (juros)

→ Inquisição (órgão responsável por perseguir todos aqueles considerados hereges)

→ Na arquitetura, as Igrejas Românicas se tornam Góticas

Características:

Românica – construção horizontal, estrutura pesada, arco abobadado, pilastras largas, poucas janelas, pouca ventilação e iluminação.

Gótica – construção vertical, estrutura mais leve, arco ogival, pilastra finas, muitas janelas, rosácea, ventilada e iluminada.

 

C) Islamismo

Islamismo – Profeta Maomé - Hégira (Fuga / marco inicial do calendário Islâmico) – Meca - Caaba – deus (Alá) livro sagrado (Alcorão ou Corão) - 5 pilares – Jihad           (Guerra Santa)– expansão até a Península Ibérica.

 

A Baixa Idade Média (séc. XI/XV)

 

a) Crescimento Demográfico

→ Fim das invasões bárbaras – diminuição de mortes

→ Aumento do nível de natalidade – aumento do consumo

→ Escassez das terras – expulsão do excedente populacional

→ Incentivo aos aperfeiçoamentos agrícolas

→ Busca por novas regiões territoriais – guerras de conquista em busca de novos territórios.

 

b) Cruzadas

→ Expedições militares de caráter religioso

→ Justificativa: tomada de Jerusalém e de regiões da Europa dominadas pelos mouros, muçulmanos, árabes, infiéis (Urbano II – Concílio de Clermont)

→ Fatores que incentivaram o movimento cruzadista

. Fator religioso: expansão da Igreja para o Oriente

. Fator demográfico: escassez de terras férteis / criação do Direito de primogenitura

. Fator comercial: aumento do comércio com o Oriente

. Fator político: desejo da nobreza em expandir os domínios territoriais

 

c) Renascimento Comercial

→ Intensificação das relações comerciais entre Oriente / Ocidente – 4ª Cruzada (1202-1204)

→ Grande destaque para as cidades italianas – Gênova, Florença, Veneza, Roma – crescimento da região de Flandres

→ Desenvolvimento das feiras temporárias – Champanhe – condado francês

→ Aumento da circulação de moedas

→ Novo grupo social: mercadores

→ Surgimento de HANSAS ou LIGAS (associações de comerciantes, associando interesses e realizando comércio em larga escala)

. Hansa Teotônica / Liga Hanseática: associação de mercadores alemães, comércio nos mares Báltico e do Norte (mais de 80 cidades)

. Responsáveis pela dinamização das cidades e mercados

 

d) Renascimento Urbano

→ Crescimento do comércio incentivava o crescimento das cidades

→ Formação dos burgos – fortalezas no interior dos feudos, onde se concentrava o comércio e a nova classe de mercadores / burgueses

→ No século XIII, o crescimento dos burgos incentivou movimentos pela autonomia em relação aos senhores feudais – movimento comunal – emancipação das cidades.

→ Corporações de Ofício

. Corporações de Mercadores ou Guildas: associações que queriam manter o monopólio dos comerciantes locais limitando a participação dos estrangeiros.

. Corporações de Ofício: buscava manter o monopólio de um ramo de atividades controlando o preço e a qualidade dos produtos.

. Incentivo ao florescimento de atividades culturais (Universidades medievais)

 

e) Crise do Século XIV

→ Expansão da Peste Negra – queda demográfica brusca

→ Problemas climáticos – diminuição da produção – escassez de alimentos

→ Grande Fome (1315-1317) – morte de 1/3 da população da Europa Ocidental

→ Super exploração do campesinato através do aumento dos impostos e obrigações servis

→ Revoltas camponesas – Jacqueries

 


Absolutismo e MercantilismoNovos Poderes CAPÍTULOFRENTE A

A formação das monarquias nacionais europeias

Durante a Idade Média, a Europa era marcada pela descentralização do poder. Isso acontecia porque o sistema feudal dava grande autonomia aos nobres, que controlavam suas terras, cobravam impostos e possuíam seus próprios exércitos. O rei existia, mas muitas vezes tinha apenas um poder simbólico, dependendo da fidelidade dos senhores feudais para governar.

A partir da Baixa Idade Média, entre os séculos XI e XV, começaram a ocorrer importantes transformações econômicas, sociais e políticas. O crescimento do comércio, o renascimento das cidades e o fortalecimento da burguesia criaram a necessidade de uma autoridade central mais forte, capaz de garantir segurança, organizar impostos e unificar leis e moedas. Nesse contexto surgiram os Estados Nacionais modernos.

Características dos Estados Nacionais

Os Estados Nacionais europeus apresentavam algumas características em comum:

  • Centralização do poder nas mãos do rei: o monarca passou a concentrar as decisões políticas e administrativas.
  • Burocracia organizada: funcionários públicos ajudavam na administração do reino.
  • Exército permanente e fiel ao rei: substituindo os exércitos particulares dos nobres feudais.
  • Moeda padronizada: facilitava as atividades comerciais e fortalecia a economia.
  • Cobrança de impostos nacionais: usados para manter o exército e a administração do reino.
  • Leis unificadas: o rei criava códigos judiciais válidos para toda a população.
  • Assembleias consultivas: representantes do clero, da nobreza e do povo podiam ser convocados para discutir impostos e leis. Essas assembleias recebiam nomes diferentes em cada reino:
    • Parlamento na Inglaterra;
    • Estados Gerais na França;
    • Cortes em Portugal e Espanha.

Apesar do fortalecimento dos reis, o poder real ainda encontrava limites, principalmente pela influência da nobreza e da Igreja Católica, que continuavam muito poderosas.

No final do século XV, alguns países europeus já estavam politicamente centralizados, como Portugal, Espanha, França e Inglaterra. Entretanto, regiões como a Península Itálica e o Sacro Império Romano-Germânico permaneceram fragmentadas em vários pequenos Estados até o século XIX, quando ocorreram as unificações da Itália e da Alemanha.

 

A formação das monarquias nacionais ibéricas

A formação das monarquias de Portugal e Espanha esteve diretamente ligada à luta contra os muçulmanos na Península Ibérica.

No século VIII, povos islâmicos conhecidos como mouros invadiram a região e passaram a controlar grande parte da península. Os cristãos refugiaram-se no norte e iniciaram um longo processo de guerras para recuperar os territórios perdidos. Esse movimento ficou conhecido como Reconquista Cristã ou Guerra de Reconquista.

A Reconquista durou de 711 até 1492, sendo um dos processos históricos mais longos da Europa medieval. Além da luta religiosa entre cristãos e muçulmanos, a guerra também ajudou a fortalecer o poder dos reis, que passaram a liderar os exércitos e organizar politicamente os territórios conquistados.

 

A formação da monarquia espanhola

Com o avanço da Reconquista, vários pequenos reinos cristãos surgiram no norte da Península Ibérica, como Leão, Castela, Navarra e Aragão.

Ao longo do tempo, alguns desses reinos foram se unificando. O passo decisivo aconteceu em 1469, com o casamento de Fernando de Aragão e Isabel de Castela, conhecidos como os Reis Católicos. A união dos dois reinos fortaleceu o processo de centralização política e marcou o nascimento da monarquia espanhola.

Em 1492, os espanhóis conquistaram o Reino de Granada, último território muçulmano da península, encerrando oficialmente a presença islâmica na região e concluindo a unificação espanhola.

A monarquia espanhola também buscou a unificação religiosa em torno do catolicismo. Nesse contexto surgiu a Inquisição Espanhola, criada em 1478. O tribunal religioso perseguia pessoas acusadas de heresia, principalmente judeus e muçulmanos convertidos ao cristianismo, chamados de “cristãos-novos”, suspeitos de praticarem secretamente suas antigas religiões.

As punições variavam desde multas até a morte na fogueira. Em 1492, milhares de judeus foram expulsos da Espanha, demonstrando a forte intolerância religiosa do período.

 

A formação da monarquia portuguesa

Portugal foi a primeira monarquia nacional europeia a se consolidar politicamente.

Sua origem também está ligada à Reconquista Cristã. Durante as guerras contra os muçulmanos, o rei Afonso VI, de Leão, recebeu ajuda militar do nobre francês Henrique de Borgonha. Como recompensa, Henrique recebeu o Condado Portucalense, região que deu origem a Portugal.

Após a morte de Henrique, seu filho, Afonso Henriques, rompeu os laços de dependência com o reino de Leão. Em 1139, proclamou-se rei de Portugal, iniciando a Dinastia de Borgonha e consolidando a independência portuguesa.

Portugal tornou-se uma das primeiras monarquias centralizadas da Europa porque conseguiu fortalecer o poder real antes de outros reinos europeus. Essa centralização política foi fundamental para que, séculos depois, os portugueses liderassem as Grandes Navegações e a expansão marítima europeia.

 

Contexto histórico das transformações europeias

A formação das monarquias nacionais aconteceu em meio a profundas mudanças na sociedade medieval:

  • O sistema feudal começou a enfraquecer;
  • O comércio voltou a crescer, especialmente após as Cruzadas;
  • As cidades se desenvolveram;
  • A burguesia ganhou importância econômica;
  • Os reis passaram a buscar maior controle político e econômico sobre seus territórios.

Essas transformações marcaram a transição da Idade Média para a Idade Moderna, período em que surgiram os primeiros Estados centralizados europeus e se fortaleceram as bases do absolutismo monárquico.


Cap.3 - Absolutismo e Mercantilismo

Absolutismo e Mercantilismo na Europa Moderna

A Idade Moderna foi marcada por profundas transformações políticas, econômicas e sociais. Depois das crises da Baixa Idade Média — como guerras, fome, revoltas camponesas e epidemias — o sistema feudal começou a enfraquecer. Nesse contexto, os reis passaram a concentrar mais poder em suas mãos, formando os chamados Estados absolutistas.

Um dos maiores símbolos desse período foi o Palácio de Versalhes, na França, residência do rei Luís XIV. O palácio representava o luxo, o poder e a autoridade do monarca absolutista, além de funcionar como centro político da sociedade de corte.

Ao mesmo tempo, a burguesia comercial apoiava o fortalecimento dos reis, pois acreditava que governos centralizados poderiam garantir maior segurança para o comércio, unificação de impostos, moedas e leis, favorecendo os negócios e os lucros.

Segundo o historiador Perry Anderson, o absolutismo também serviu para preservar os privilégios da nobreza e do clero, ameaçados pelas mudanças sociais ocorridas no final da Idade Média. Assim, mesmo com a centralização do poder real, a sociedade continuou marcada pela desigualdade e pelos privilégios.

 

O absolutismo: origens e características

O absolutismo foi um sistema político que surgiu na Europa entre os séculos XVI e XVII, período conhecido como Antigo Regime. Nesse sistema, o rei concentrava amplos poderes políticos, administrativos, militares e econômicos.

Entre as principais características do absolutismo estavam:

  • centralização do poder nas mãos do rei;
  • criação de exércitos permanentes;
  • cobrança de impostos nacionais;
  • fortalecimento da burocracia estatal;
  • controle das leis e da justiça;
  • manutenção de cortes luxuosas formadas por nobres e artistas.

Os reis absolutistas também buscavam apoio financeiro da burguesia mercantil. Em troca de empréstimos e financiamentos, concediam privilégios comerciais, monopólios e proteção econômica.

Apesar do grande poder dos monarcas, ele não era totalmente ilimitado. Os reis ainda precisavam lidar com tradições, costumes, privilégios da nobreza e influência da Igreja.

 

A sociedade estamental do Antigo Regime

A sociedade do Antigo Regime era dividida em estamentos ou ordens sociais, definidos principalmente pelo nascimento e pelos privilégios herdados.

Primeiro Estado: Clero

Era formado pelos membros da Igreja Católica:

  • alto clero: bispos, cardeais e membros ricos da Igreja;
  • baixo clero: padres e religiosos de menor posição.

O clero possuía privilégios, como isenção de impostos.

Segundo Estado: Nobreza

Era dividido entre:

  • nobreza tradicional ou “de espada”, ligada às antigas famílias feudais;
  • nobreza togada ou “de título”, formada por pessoas que recebiam cargos e títulos do rei.

Os nobres também não pagavam impostos e ocupavam os principais cargos militares e administrativos.

Terceiro Estado

Reunia a maior parte da população:

  • burguesia;
  • artesãos;
  • trabalhadores urbanos;
  • camponeses;
  • servos.

Apesar das diferenças econômicas entre seus membros, todos tinham algo em comum: sustentavam o Estado por meio do pagamento de impostos.

A mobilidade social era muito limitada. Apenas alguns burgueses ricos conseguiam ascender à nobreza por meio da compra de títulos ou casamentos.

 

A sociedade de corte e as regras de etiqueta

No absolutismo, especialmente na França, surgiu a chamada sociedade de corte. Nela, os nobres viviam próximos ao rei e seguiam rígidas regras de comportamento e etiqueta.

As normas definiam:

  • roupas adequadas;
  • formas de falar;
  • maneiras de comer;
  • comportamento em festas e cerimônias;
  • posição social diante do rei.

Essas regras ajudavam o monarca a controlar a nobreza, mantendo-a ocupada com disputas por prestígio e afastada das decisões políticas.

O rei era o centro da vida social e política da corte.

 

As teorias que justificavam o absolutismo

Para legitimar o grande poder dos reis, surgiram teorias políticas que defendiam o absolutismo.

Teoria do Direito Divino dos Reis

Defendida por pensadores como Jacques Bossuet e Jean Bodin, afirmava que o poder do rei vinha diretamente de Deus. Assim:

  • desobedecer ao rei seria desobedecer a Deus;
  • o monarca não precisava obedecer às leis criadas pelos homens;
  • o povo não tinha direito de se revoltar.

Essa teoria fortalecia a autoridade real e justificava a obediência absoluta dos súditos.

 

Thomas Hobbes e o contrato social

O filósofo inglês Thomas Hobbes defendia que, sem governo, os homens viveriam em constante guerra e violência.

Para garantir paz e segurança, os indivíduos fariam um “contrato social”, entregando seus direitos a um soberano forte, que deveria manter a ordem.

Segundo Hobbes:

  • o poder absoluto do rei era necessário para evitar o caos;
  • o povo não poderia se rebelar contra o soberano.

 

Nicolau Maquiavel

Maquiavel foi um dos principais pensadores da política moderna. Em sua obra O Príncipe, defendia que o governante deveria agir de forma prática e racional para conquistar e manter o poder.

Para Maquiavel:

  • a política não deveria seguir obrigatoriamente princípios religiosos ou morais;
  • o governante deveria usar estratégias, alianças e até violência, se necessário;
  • era importante manter boa imagem diante do povo.

Sua obra marcou a separação entre política e religião, característica importante da modernidade.

 

O absolutismo francês

A França foi o principal exemplo de absolutismo europeu.

O fortalecimento da monarquia francesa começou após a Guerra dos Cem Anos e foi consolidado pela dinastia dos Bourbon.

Durante os séculos XVI e XVII, ocorreram intensas guerras religiosas entre:

  • católicos;
  • protestantes calvinistas franceses, chamados huguenotes.

Um dos episódios mais violentos foi a Noite de São Bartolomeu (1572), quando milhares de protestantes foram assassinados em Paris.

 

Luís XIV: o Rei Sol

Luís XIV foi o maior símbolo do absolutismo francês. Seu reinado representou o auge do poder monárquico.

Características de seu governo:

  • centralização política;
  • fortalecimento da autoridade real;
  • construção do Palácio de Versalhes;
  • grande luxo da corte;
  • perseguição religiosa aos protestantes;
  • participação em guerras.

A frase atribuída a Luís XIV — “O Estado sou eu” — representa a ideia do absolutismo.

Entretanto, os altos gastos da corte, das guerras e do luxo real contribuíram para a crise econômica francesa, que mais tarde ajudaria a provocar a Revolução Francesa.

 

O absolutismo inglês

Na Inglaterra, o absolutismo se consolidou após a Guerra das Duas Rosas, conflito entre as famílias Lancaster e York.

Da união dessas famílias surgiu a dinastia Tudor.

Henrique VIII e o Anglicanismo

Henrique VIII fortaleceu o poder real ao romper com a Igreja Católica e criar a Igreja Anglicana, tornando-se chefe religioso e político do país.

Ele confiscou terras da Igreja e as distribuiu entre a burguesia e a nova nobreza ligada ao comércio e à criação de ovelhas.

 

Elizabeth I e a Era de Ouro

O reinado de Elizabeth I representou o auge do absolutismo inglês.

Durante seu governo:

  • o comércio inglês cresceu;
  • a marinha foi fortalecida;
  • o mercantilismo foi incentivado;
  • iniciou-se a expansão colonial inglesa.

A Inglaterra tornou-se uma potência comercial e marítima.

 

Mercantilismo

O mercantilismo foi o conjunto de práticas econômicas adotadas pelos Estados absolutistas entre os séculos XVI e XVIII.

Os governos acreditavam que a riqueza de um país dependia da acumulação de metais preciosos, principalmente ouro e prata.

Por isso, os Estados passaram a intervir fortemente na economia.

Principais características do mercantilismo

  • forte intervenção do Estado na economia;
  • protecionismo alfandegário;
  • incentivo às exportações;
  • controle do comércio colonial;
  • monopólios comerciais;
  • acúmulo de metais preciosos;
  • busca por uma balança comercial favorável.

O mercantilismo esteve diretamente ligado ao colonialismo e à expansão marítima europeia.

 

Tipos de mercantilismo

Metalismo ou Bulionismo

Praticado por Portugal e Espanha.

Baseava-se na exploração de ouro e prata das colônias americanas.

 

Comercialismo

Praticado principalmente por Inglaterra e Holanda.

Baseava-se no comércio marítimo e nos lucros obtidos com transporte de mercadorias.

 

Industrialismo ou Colbertismo

Praticado na França.

Defendido pelo ministro Colbert, incentivava:

  • manufaturas;
  • produtos de luxo;
  • protecionismo econômico.

 

Cameralismo

Desenvolvido nos Estados alemães.

Buscava fortalecer economicamente os territórios para alcançar maior unidade política.

 

Conclusão

O absolutismo e o mercantilismo foram elementos fundamentais da formação da Europa Moderna. Enquanto os reis fortaleciam o poder político e centralizavam os Estados, o mercantilismo buscava ampliar as riquezas nacionais por meio do comércio e da exploração colonial.

Essas transformações marcaram a transição do feudalismo para o capitalismo e prepararam o cenário para importantes mudanças futuras, como o Iluminismo, as Revoluções Burguesas e a consolidação do mundo moderno.