História em casa
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
6º ANO
PROGRAMA DE HISTÓRIA 2026
1º trimestre
Cap. 01 - O que é História?
Cap. 02 - A História antes da escrita.
Cap. 03 - O povoamento da América: povos e sociedade.
Cap. 04 - A antiga civilização egípcia.
Cap. 05 - África: diversidade de povos e reinos.
2º trimestre
Cap. 06 - As civilizações da Mesopotâmia.
Cap. 07 - Hebreus, fenícios e persas.
Cap. 08 - O mundo grego antigo.
Cap. 09 - A Grécia clássica e helenística.
3º trimestre
Cap. 10 - Roma Antiga.
Cap. 11 - O Império Romano.
Cap. 12 - A Europa e a formação do feudalismo.
Cap. 13 - Igreja e cultura na Idade Média.
Cap. 14 - Transformações da Europa medieval.
7º ANO
PROGRAMA DE HISTÓRIA 2026
1º trimestre
Revisão da Baixa Idade Média.
Cap. 01 - A formação das monarquias centralizadas europeias.
Cap. 02 - Expansão Marítima Europeia.
Cap. 03 - América: povos, reinos e império antigos.
Cap. 04 - O Renascimento Cultural.
2º trimestre
Cap. 05 - A Reforma religiosa.
Cap. 06 - O Estado absolutista europeu.
Cap. 07 - O mercantilismo e a colonização da América.
Cap. 08 - A administração na América portuguesa.
3º trimestre
Cap. 09 - As fronteiras na América portuguesa.
Cap. 10 - Povos africanos e a conquista dos portugueses.
Cap. 11 - Escravidão, tráfico e práticas de resistência.
Cap. 12 - A produção açúcareira na América portuguesa e outras atividades.
Cap. 13 - A atividade mineradora e o dinamismo econômico e cultural.
Mudanças
na Europa entre a Idade Média e a Moderna
As
mudanças na Europa demoraram muito tempo
Não foi de um dia para o outro. Levou séculos para que tudo
mudasse da Idade Média para a Idade Moderna.
O poder
dos reis aumentou
Antes, os senhores feudais (como os nobres e cavaleiros) tinham
muito poder. Com o tempo, esse poder foi diminuindo e os reis e rainhas
começaram a mandar mais.
A
burguesia ficou mais importante
Um novo grupo social surgiu e ajudou os reis: a burguesia, que era
formada por comerciantes e pessoas ricas das cidades.
Começou a
expansão marítima no século XV
Os reis queriam ganhar mais dinheiro e terras. Com apoio da
burguesia, eles começaram a explorar outros continentes, como a América, a
África e a Ásia.
O comércio
se moveu para o Oceano Atlântico
Antes, o comércio acontecia principalmente no Mar Mediterrâneo.
Depois, as rotas comerciais passaram pelo Oceano Atlântico, ligando a Europa a
outros continentes.
Muitos
produtos chegaram à Europa
Tecidos, perfumes e especiarias do Oriente (Ásia) vieram em grande
quantidade para a Europa, e depois também para a África e a América.
Surge o
mercantilismo
Foi um conjunto de ideias e práticas econômicas adotadas pelos
países europeus para enriquecer e fortalecer o poder dos reis e da burguesia.
Principais
ideias do mercantilismo:
Metalismo: Quanto
mais ouro e prata um país tivesse, mais rico ele era. Por isso, Espanha e
Portugal exploravam as colônias em busca desses metais.
Protecionismo:
Os
governos cobravam impostos altos de produtos estrangeiros e davam vantagens
para os produtos fabricados dentro do país.
Balança
comercial favorável: Era quando um país exportava (vendia) mais do
que importava (comprava), assim ganhava mais dinheiro.
O Estado
interferia na economia
Os reis controlavam o comércio, incentivavam o uso de produtos
locais e cobravam impostos de produtos vindos de outros países.
1º ANO
A civilização clássica: Roma
As origens de Roma:
* Localizava-se na Península Itálica, e entre os anos
2000 e 1000 a.C., foi invadida por povos indo-europeus como os latinos.
* Segundo a lenda, Roma fora
fundida pelos gêmeos Rômulo e Remo.
* Pesquisas confirmaram que várias aldeias se uniram e formaram Roma.
* Os romanos se organizavam em
clãs, sendo a propriedade e a produção da terra, coletivas.
* Os patrícios constituíam a
elite nobre, que se apossaram das melhores terras.
* Roma era uma cidade-estado
governada por um rei e por um conselho (senado) formado pelos patrícios.
* Plebeus (artesãos,
comerciantes e pequenos proprietários), clientes e escravos domésticos
constituíam os demais grupos sociais.
* Roma foi conquistada pelos
etruscos, por volta do ano 600 a.C. e teve seu último rei.
A República:
* A queda do último rei etrusco significou a
independência de Roma em relação aos etruscos.
* Roma passa a ser governada pelo senado,
com a implantação da República.
* O senado escolhia os magistrados.
* A luta dos plebeus pela
participação política:
- Instituição dos Tribunos da
Plebe;
- Lei das 12 tábuas (as leis
passam a ser escritas);
- Lei Canuleia (casamento
entre patrícios e plebeus);
- Abolição da escravidão por
dívidas;
- Igualdade de direitos entre
patrícios e plebeus;
* Roma expande seus domínios
territoriais, tornando-se um Império.
* Em disputa pelo Mar
Mediterrâneo, Roma vence Cartago nas Guerras Púnicas.
* Os patrícios enriqueceram.
* Aumentou o número de
escravos.
* Os chefes militares tiveram
seu poder político fortalecido.
* Aumentaram a pobreza, a fome
e as tensões sociais.
* A proposta da reforma
agrária dos irmãos Tibério e Caio Graco (Tribunos da Plebe):
- Tibério Graco foi por isso
assassinado e Caio Graco se matou.
* As Guerras passam a ter
caráter vital para a expansão territorial e aquisição de escravos para Roma.
* Os cônsules Mário e Sila
tentaram conter as tensões sociais.
* A revolta de escravos
liderada pelo escravo-gladiador Espártaco.
* Formação do Primeiro Triunvirato
(generais): Pompeu, Crasso e Júlio César.
* Júlio César se destaca como
grande líder militar apoiado pelo povo; contudo, foi assassinado numa
conspiração de senadores.
* Formou-se o Segundo
Triunvirato: Lépido, Março Antônio e Otávio.
* Lépido teve seu poder
suprimido, e Marco Antônio e Otávio disputaram o poder.
* Otávio vence a disputa política contra Março Antônio, e se intitula imperador.
O Império Romano:
* O imperador passou a deter
grande poder, apesar da manutenção das instituições anteriores.
* Otávio investiu na área
social, tornando-se assim popular.
* O Império Romano ampliou
ainda mais suas fronteiras.
* Houve intenso combate contra
os bárbaros, sobretudo germânicos.
* Surgiu o cristianismo,
concorrendo com muitas outras religiões praticadas no império romano.
* Devido às contradições
políticas e econômicas, o império começa a vivenciar a verdadeira crise.
* O fim das guerras paralisou
a principal fonte de escravos.
*Surgiu o sistema do colonato,
levando a população carente à ruralização.
* O imperador Constantino
transferiu a capital do império para a cidade de Constantinopla.
* O imperador Teodósio dividiu
o império em dois: ocidental e oriental, sendo o ocidental invadido pelos
bárbaros, e o oriental tornou-se Império Bizantino.
* O cristianismo tornou-se a
religião predominante, legalizada e oficializada em Roma, embora tivesse sido
arduamente perseguida por três séculos.
* Os bárbaros predominavam
sobre os exércitos romanos, formando reinos no interior de seu vasto
território.
Cultura:
* A cultura romana contém
fortes elementos das culturas grega e etrusca.
* Grandes obras urbanísticas
foram realizadas pelos romanos.
* O direito romano influenciou
toda a civilização ocidental.
https://www.youtube.com/watch?v=eqHmEXJWuRk – Roma
Alta Idade
Média
A) Queda do Império Romano e Formação da
Sociedade Feudal
→ Idade Média
Ocidental (séc. V ao XV)
→ Origem do termo
– “Idade das Trevas”, valores contrários àqueles defendidos na Antiguidade
Clássica (Grécia e Roma)
→ Invasões
bárbaras que levaram à destruição completa do Império Romano (visigodos,
ostrogodos, francos, germânicos, bretões)
→ 476 d.C. –
queda do Império Romano do Ocidente
→ 1453 – tomada
de Constantinopla = queda do Império Romano do Ocidente
→ Feudalismo =
sistema socioeconômico com instituições e componentes próprios
→ Fusão entre os
valores romanos e germânicos
B) A estrutura da sociedade feudal
b.1) Características econômicas
→ economia
agrária, voltada para a subsistência, com baixa produtividade
→ não comercial,
amonetária, baixa circulação de moedas
→ unidade da
produção feudal: feudos ou benefícios, divididos em manso senhorial, manso
servil e manso comunal
b.2)
Características sociais
→ critério de
diferenciação social: POSSE DA TERRA
→ sociedade
estamental, sem mobilidade (paralisada), estratificada
→ senhores
feudais: nobres, clero / servos: camponeses (presos à terra)
→ relação entre
servos e nobres – servidão
. Super
exploração servil: conjunto de impostos e obrigações que o servo deveria pagar
ao seu senhor (talha, corveia, banalidade)
. Não significa
escravidão, o servo era preso à terra
. Os vilões eram
os servos que possuíam maior liberdade, não tendo obrigação de pagar todos os
impostos
→ relação entre
nobres – suserania e vassalagem
. Suserano:
aquele que doa a terra ou benefício
. Vassalo: aquele
que recebe a terra ou benefício
. Necessidade de
cerimônia que selava a ligação (homenagem)
. Relação de
obrigações recíprocas (dependência/fidelidade)
. Obrigações
financeiras e militares
. fragmentação do
poder
b.3) Características culturais
→ Hegemonia
Ideológica e Cultural da Igreja = TEOCENTRISMO
→ Construção de
justificativas para as desigualdades sociais: “Uns nasceram para rezar, outros
para guerrear e outros para trabalhar”.
→ Universidades
medievais
→ Condenação de
lucro excessivo e de usura (juros)
→ Inquisição
(órgão responsável por perseguir todos aqueles considerados hereges)
→ Na arquitetura,
as Igrejas Românicas se tornam Góticas
Características:
Românica –
construção horizontal, estrutura pesada, arco abobadado, pilastras largas,
poucas janelas, pouca ventilação e iluminação.
Gótica –
construção vertical, estrutura mais leve, arco ogival, pilastra finas, muitas
janelas, rosácea, ventilada e iluminada.
C) Islamismo
Islamismo –
Profeta Maomé - Hégira (Fuga / marco inicial do calendário Islâmico) – Meca -
Caaba – deus (Alá) livro sagrado (Alcorão ou Corão) - 5 pilares – Jihad (Guerra Santa)– expansão até a
Península Ibérica.
A Baixa Idade Média (séc. XI/XV)
a) Crescimento Demográfico
→ Fim das
invasões bárbaras – diminuição de mortes
→ Aumento do
nível de natalidade – aumento do consumo
→ Escassez das
terras – expulsão do excedente populacional
→ Incentivo aos
aperfeiçoamentos agrícolas
→ Busca por novas
regiões territoriais – guerras de conquista em busca de novos territórios.
b) Cruzadas
→ Expedições
militares de caráter religioso
→ Justificativa:
tomada de Jerusalém e de regiões da Europa dominadas pelos mouros, muçulmanos,
árabes, infiéis (Urbano II – Concílio de Clermont)
→ Fatores que
incentivaram o movimento cruzadista
. Fator
religioso: expansão da Igreja para o Oriente
. Fator
demográfico: escassez de terras férteis / criação do Direito de primogenitura
. Fator
comercial: aumento do comércio com o Oriente
. Fator político:
desejo da nobreza em expandir os domínios territoriais
c) Renascimento Comercial
→ Intensificação
das relações comerciais entre Oriente / Ocidente – 4ª Cruzada (1202-1204)
→ Grande destaque
para as cidades italianas – Gênova, Florença, Veneza, Roma – crescimento da
região de Flandres
→ Desenvolvimento
das feiras temporárias – Champanhe – condado francês
→ Aumento da
circulação de moedas
→ Novo grupo
social: mercadores
→ Surgimento de
HANSAS ou LIGAS (associações de comerciantes, associando interesses e realizando
comércio em larga escala)
. Hansa Teotônica
/ Liga Hanseática: associação de mercadores alemães, comércio nos mares Báltico
e do Norte (mais de 80 cidades)
. Responsáveis
pela dinamização das cidades e mercados
d) Renascimento Urbano
→ Crescimento do
comércio incentivava o crescimento das cidades
→ Formação dos
burgos – fortalezas no interior dos feudos, onde se concentrava o comércio e a
nova classe de mercadores / burgueses
→ No século XIII,
o crescimento dos burgos incentivou movimentos pela autonomia em relação aos
senhores feudais – movimento comunal – emancipação das cidades.
→ Corporações de
Ofício
. Corporações de
Mercadores ou Guildas: associações que queriam manter o monopólio dos
comerciantes locais limitando a participação dos estrangeiros.
. Corporações de
Ofício: buscava manter o monopólio de um ramo de atividades controlando o preço
e a qualidade dos produtos.
. Incentivo ao
florescimento de atividades culturais (Universidades medievais)
e) Crise do Século XIV
→ Expansão da
Peste Negra – queda demográfica brusca
→ Problemas
climáticos – diminuição da produção – escassez de alimentos
→ Grande Fome
(1315-1317) – morte de 1/3 da população da Europa Ocidental
→ Super
exploração do campesinato através do aumento dos impostos e obrigações servis
→ Revoltas
camponesas – Jacqueries
Absolutismo e MercantilismoNovos Poderes CAPÍTULOFRENTE A
Durante a Idade Média, a Europa era marcada pela descentralização do
poder. Isso acontecia porque o sistema feudal dava grande autonomia aos nobres,
que controlavam suas terras, cobravam impostos e possuíam seus próprios
exércitos. O rei existia, mas muitas vezes tinha apenas um poder simbólico,
dependendo da fidelidade dos senhores feudais para governar.
A partir da Baixa Idade Média, entre os séculos XI e XV, começaram a
ocorrer importantes transformações econômicas, sociais e políticas. O
crescimento do comércio, o renascimento das cidades e o fortalecimento da
burguesia criaram a necessidade de uma autoridade central mais forte, capaz de
garantir segurança, organizar impostos e unificar leis e moedas. Nesse contexto
surgiram os Estados Nacionais modernos.
Características dos Estados Nacionais
Os Estados Nacionais europeus apresentavam algumas características em
comum:
- Centralização
do poder nas mãos do rei: o monarca passou a concentrar as decisões
políticas e administrativas.
- Burocracia
organizada: funcionários públicos ajudavam na administração do reino.
- Exército
permanente e fiel ao rei: substituindo os exércitos particulares dos
nobres feudais.
- Moeda
padronizada: facilitava as atividades comerciais e fortalecia a economia.
- Cobrança
de impostos nacionais: usados para manter o exército e a
administração do reino.
- Leis
unificadas: o rei criava códigos judiciais válidos para toda a população.
- Assembleias
consultivas: representantes do clero, da nobreza e do povo podiam ser
convocados para discutir impostos e leis. Essas assembleias recebiam nomes
diferentes em cada reino:
- Parlamento na Inglaterra;
- Estados Gerais na França;
- Cortes em Portugal e Espanha.
Apesar do fortalecimento dos reis, o poder real ainda encontrava
limites, principalmente pela influência da nobreza e da Igreja Católica, que
continuavam muito poderosas.
No final do século XV, alguns países europeus já estavam politicamente
centralizados, como Portugal, Espanha, França e Inglaterra. Entretanto, regiões
como a Península Itálica e o Sacro Império Romano-Germânico permaneceram
fragmentadas em vários pequenos Estados até o século XIX, quando ocorreram as
unificações da Itália e da Alemanha.
A formação das monarquias
nacionais ibéricas
A formação das monarquias de Portugal e Espanha esteve diretamente
ligada à luta contra os muçulmanos na Península Ibérica.
No século VIII, povos islâmicos conhecidos como mouros invadiram
a região e passaram a controlar grande parte da península. Os cristãos
refugiaram-se no norte e iniciaram um longo processo de guerras para recuperar
os territórios perdidos. Esse movimento ficou conhecido como Reconquista
Cristã ou Guerra de Reconquista.
A Reconquista durou de 711 até 1492, sendo um dos processos
históricos mais longos da Europa medieval. Além da luta religiosa entre
cristãos e muçulmanos, a guerra também ajudou a fortalecer o poder dos reis,
que passaram a liderar os exércitos e organizar politicamente os territórios
conquistados.
A formação da monarquia
espanhola
Com o avanço da Reconquista, vários pequenos reinos cristãos surgiram no
norte da Península Ibérica, como Leão, Castela, Navarra e Aragão.
Ao longo do tempo, alguns desses reinos foram se unificando. O passo
decisivo aconteceu em 1469, com o casamento de Fernando de Aragão
e Isabel de Castela, conhecidos como os Reis Católicos. A união
dos dois reinos fortaleceu o processo de centralização política e marcou o
nascimento da monarquia espanhola.
Em 1492, os espanhóis conquistaram o Reino de Granada, último
território muçulmano da península, encerrando oficialmente a presença islâmica
na região e concluindo a unificação espanhola.
A monarquia espanhola também buscou a unificação religiosa em torno do
catolicismo. Nesse contexto surgiu a Inquisição Espanhola, criada em
1478. O tribunal religioso perseguia pessoas acusadas de heresia,
principalmente judeus e muçulmanos convertidos ao cristianismo, chamados de
“cristãos-novos”, suspeitos de praticarem secretamente suas antigas religiões.
As punições variavam desde multas até a morte na fogueira. Em 1492,
milhares de judeus foram expulsos da Espanha, demonstrando a forte intolerância
religiosa do período.
A formação da monarquia
portuguesa
Portugal foi a primeira monarquia nacional europeia a se consolidar
politicamente.
Sua origem também está ligada à Reconquista Cristã. Durante as guerras
contra os muçulmanos, o rei Afonso VI, de Leão, recebeu ajuda militar do nobre
francês Henrique de Borgonha. Como recompensa, Henrique recebeu o Condado
Portucalense, região que deu origem a Portugal.
Após a morte de Henrique, seu filho, Afonso Henriques, rompeu os
laços de dependência com o reino de Leão. Em 1139, proclamou-se rei de
Portugal, iniciando a Dinastia de Borgonha e consolidando a
independência portuguesa.
Portugal tornou-se uma das primeiras monarquias centralizadas da Europa
porque conseguiu fortalecer o poder real antes de outros reinos europeus. Essa
centralização política foi fundamental para que, séculos depois, os portugueses
liderassem as Grandes Navegações e a expansão marítima europeia.
Contexto histórico das transformações
europeias
A formação das monarquias nacionais aconteceu em meio a profundas
mudanças na sociedade medieval:
- O
sistema feudal começou a enfraquecer;
- O
comércio voltou a crescer, especialmente após as Cruzadas;
- As
cidades se desenvolveram;
- A
burguesia ganhou importância econômica;
- Os
reis passaram a buscar maior controle político e econômico sobre seus
territórios.
Essas transformações marcaram a transição da Idade Média para a Idade
Moderna, período em que surgiram os primeiros Estados centralizados europeus e
se fortaleceram as bases do absolutismo monárquico.
Cap.3 - Absolutismo e Mercantilismo
Absolutismo e Mercantilismo
na Europa Moderna
A Idade Moderna foi marcada por profundas transformações políticas,
econômicas e sociais. Depois das crises da Baixa Idade Média — como guerras,
fome, revoltas camponesas e epidemias — o sistema feudal começou a enfraquecer.
Nesse contexto, os reis passaram a concentrar mais poder em suas mãos, formando
os chamados Estados absolutistas.
Um dos maiores símbolos desse período foi o Palácio de Versalhes, na
França, residência do rei Luís XIV. O palácio representava o luxo, o poder e a
autoridade do monarca absolutista, além de funcionar como centro político da
sociedade de corte.
Ao mesmo tempo, a burguesia comercial apoiava o fortalecimento dos reis,
pois acreditava que governos centralizados poderiam garantir maior segurança
para o comércio, unificação de impostos, moedas e leis, favorecendo os negócios
e os lucros.
Segundo o historiador Perry Anderson, o absolutismo também serviu para
preservar os privilégios da nobreza e do clero, ameaçados pelas mudanças
sociais ocorridas no final da Idade Média. Assim, mesmo com a centralização do
poder real, a sociedade continuou marcada pela desigualdade e pelos
privilégios.
O absolutismo: origens e
características
O absolutismo foi um sistema político que surgiu na Europa entre os
séculos XVI e XVII, período conhecido como Antigo Regime. Nesse sistema, o rei
concentrava amplos poderes políticos, administrativos, militares e econômicos.
Entre as principais características do absolutismo estavam:
- centralização
do poder nas mãos do rei;
- criação
de exércitos permanentes;
- cobrança
de impostos nacionais;
- fortalecimento
da burocracia estatal;
- controle
das leis e da justiça;
- manutenção
de cortes luxuosas formadas por nobres e artistas.
Os reis absolutistas também buscavam apoio financeiro da burguesia
mercantil. Em troca de empréstimos e financiamentos, concediam privilégios
comerciais, monopólios e proteção econômica.
Apesar do grande poder dos monarcas, ele não era totalmente ilimitado.
Os reis ainda precisavam lidar com tradições, costumes, privilégios da nobreza
e influência da Igreja.
A sociedade estamental do
Antigo Regime
A sociedade do Antigo Regime era dividida em estamentos ou ordens
sociais, definidos principalmente pelo nascimento e pelos privilégios herdados.
Primeiro Estado: Clero
Era formado pelos membros da Igreja Católica:
- alto
clero: bispos, cardeais e membros ricos da Igreja;
- baixo
clero: padres e religiosos de menor posição.
O clero possuía privilégios, como isenção de impostos.
Segundo Estado: Nobreza
Era dividido entre:
- nobreza
tradicional ou “de espada”, ligada às antigas famílias feudais;
- nobreza
togada ou “de título”, formada por pessoas que recebiam cargos e títulos
do rei.
Os nobres também não pagavam impostos e ocupavam os principais cargos
militares e administrativos.
Terceiro Estado
Reunia a maior parte da população:
- burguesia;
- artesãos;
- trabalhadores
urbanos;
- camponeses;
- servos.
Apesar das diferenças econômicas entre seus membros, todos tinham algo
em comum: sustentavam o Estado por meio do pagamento de impostos.
A mobilidade social era muito limitada. Apenas alguns burgueses ricos
conseguiam ascender à nobreza por meio da compra de títulos ou casamentos.
A sociedade de corte e as
regras de etiqueta
No absolutismo, especialmente na França, surgiu a chamada sociedade de
corte. Nela, os nobres viviam próximos ao rei e seguiam rígidas regras de
comportamento e etiqueta.
As normas definiam:
- roupas
adequadas;
- formas
de falar;
- maneiras
de comer;
- comportamento
em festas e cerimônias;
- posição
social diante do rei.
Essas regras ajudavam o monarca a controlar a nobreza, mantendo-a
ocupada com disputas por prestígio e afastada das decisões políticas.
O rei era o centro da vida social e política da corte.
As teorias que justificavam
o absolutismo
Para legitimar o grande poder dos reis, surgiram teorias políticas que
defendiam o absolutismo.
Teoria do Direito Divino dos Reis
Defendida por pensadores como Jacques Bossuet e Jean Bodin, afirmava que
o poder do rei vinha diretamente de Deus. Assim:
- desobedecer
ao rei seria desobedecer a Deus;
- o
monarca não precisava obedecer às leis criadas pelos homens;
- o povo
não tinha direito de se revoltar.
Essa teoria fortalecia a autoridade real e justificava a obediência
absoluta dos súditos.
Thomas Hobbes e o contrato social
O filósofo inglês Thomas Hobbes defendia que, sem governo, os homens
viveriam em constante guerra e violência.
Para garantir paz e segurança, os indivíduos fariam um “contrato
social”, entregando seus direitos a um soberano forte, que deveria manter a
ordem.
Segundo Hobbes:
- o
poder absoluto do rei era necessário para evitar o caos;
- o povo
não poderia se rebelar contra o soberano.
Nicolau Maquiavel
Maquiavel foi um dos principais pensadores da política moderna. Em sua
obra O Príncipe, defendia que o governante deveria agir de forma prática
e racional para conquistar e manter o poder.
Para Maquiavel:
- a
política não deveria seguir obrigatoriamente princípios religiosos ou
morais;
- o
governante deveria usar estratégias, alianças e até violência, se
necessário;
- era
importante manter boa imagem diante do povo.
Sua obra marcou a separação entre política e religião, característica
importante da modernidade.
O absolutismo francês
A França foi o principal exemplo de absolutismo europeu.
O fortalecimento da monarquia francesa começou após a Guerra dos Cem
Anos e foi consolidado pela dinastia dos Bourbon.
Durante os séculos XVI e XVII, ocorreram intensas guerras religiosas
entre:
- católicos;
- protestantes
calvinistas franceses, chamados huguenotes.
Um dos episódios mais violentos foi a Noite de São Bartolomeu (1572),
quando milhares de protestantes foram assassinados em Paris.
Luís XIV: o Rei Sol
Luís XIV foi o maior símbolo do absolutismo francês. Seu reinado
representou o auge do poder monárquico.
Características de seu governo:
- centralização
política;
- fortalecimento
da autoridade real;
- construção
do Palácio de Versalhes;
- grande
luxo da corte;
- perseguição
religiosa aos protestantes;
- participação
em guerras.
A frase atribuída a Luís XIV — “O Estado sou eu” — representa a ideia do
absolutismo.
Entretanto, os altos gastos da corte, das guerras e do luxo real
contribuíram para a crise econômica francesa, que mais tarde ajudaria a
provocar a Revolução Francesa.
O absolutismo inglês
Na Inglaterra, o absolutismo se consolidou após a Guerra das Duas Rosas,
conflito entre as famílias Lancaster e York.
Da união dessas famílias surgiu a dinastia Tudor.
Henrique VIII e o Anglicanismo
Henrique VIII fortaleceu o poder real ao romper com a Igreja Católica e
criar a Igreja Anglicana, tornando-se chefe religioso e político do país.
Ele confiscou terras da Igreja e as distribuiu entre a burguesia e a
nova nobreza ligada ao comércio e à criação de ovelhas.
Elizabeth I e a Era de Ouro
O reinado de Elizabeth I representou o auge do absolutismo inglês.
Durante seu governo:
- o
comércio inglês cresceu;
- a
marinha foi fortalecida;
- o
mercantilismo foi incentivado;
- iniciou-se
a expansão colonial inglesa.
A Inglaterra tornou-se uma potência comercial e marítima.
Mercantilismo
O mercantilismo foi o conjunto de práticas econômicas adotadas pelos
Estados absolutistas entre os séculos XVI e XVIII.
Os governos acreditavam que a riqueza de um país dependia da acumulação
de metais preciosos, principalmente ouro e prata.
Por isso, os Estados passaram a intervir fortemente na economia.
Principais características do mercantilismo
- forte
intervenção do Estado na economia;
- protecionismo
alfandegário;
- incentivo
às exportações;
- controle
do comércio colonial;
- monopólios
comerciais;
- acúmulo
de metais preciosos;
- busca
por uma balança comercial favorável.
O mercantilismo esteve diretamente ligado ao colonialismo e à expansão
marítima europeia.
Tipos de mercantilismo
Metalismo ou Bulionismo
Praticado por Portugal e Espanha.
Baseava-se na exploração de ouro e prata das colônias americanas.
Comercialismo
Praticado principalmente por Inglaterra e Holanda.
Baseava-se no comércio marítimo e nos lucros obtidos com transporte de
mercadorias.
Industrialismo ou Colbertismo
Praticado na França.
Defendido pelo ministro Colbert, incentivava:
- manufaturas;
- produtos
de luxo;
- protecionismo
econômico.
Cameralismo
Desenvolvido nos Estados alemães.
Buscava fortalecer economicamente os territórios para alcançar maior
unidade política.
Conclusão
O absolutismo e o mercantilismo foram elementos fundamentais da formação
da Europa Moderna. Enquanto os reis fortaleciam o poder político e
centralizavam os Estados, o mercantilismo buscava ampliar as riquezas nacionais
por meio do comércio e da exploração colonial.
Essas transformações marcaram a transição do feudalismo para o
capitalismo e prepararam o cenário para importantes mudanças futuras, como o
Iluminismo, as Revoluções Burguesas e a consolidação do mundo moderno.

